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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ARTRITE REUMATOIDE



Doença, além de dor e rigidez nas articulações, pode provocar complicações cardiovasculares e afetar a vida sexual dos pacientes

POR MICHELE ROZA

O corpo humano é um organismo totalmente interligado. Quando uma parte dele é acometida por uma doença e algo não vai bem, isso pode se refletir, comprometer outras áreas e novas complicações podem surgir. Estudos apresentados no European League against Rheumatism (Eular) 2010, o Congresso Anual da Liga Europeia contra o Reumatismo, na Itália, apresentaram duas questões acerca da artrite reumatoide: a doença aumenta o risco cardíaco (principalmente em mulheres com menos de 50 anos) e afeta a vida sexual dos pacientes.

A artrite é uma denominação geral para outras doenças que geram uma inflamação no tecido conjuntivo, que reveste as articulações, ou uma degeneração não-inflamatória desse tecido. O reumatismo se caracteriza por originar vários tipos de complicações, não só nas articulações, mas em tendões e ossos, por exemplo, e provoca manifestações de dor. Apesar de nem todo reumatismo atingir as articulações, toda vez que houver um caso de artrite não-traumática haverá um reumatismo.

Uma das formas mais conhecidas da artrite é a reumatoide. A doença crônica desencadeia uma resposta inflamatória ao organismo do indivíduo, que apresenta deficiência genética no sistema imune. Geralmente se inicia na região das mãos e vai se estendendo pelo resto do corpo gradualmente, mas em alguns casos pode acometer primeiro regiões maiores e de forma aguda. Os principais sintomas são dor, rigidez (matinal), inchaço e perda de movimento nas articulações, embora possa ter impacto prejudicial também em outras partes do corpo.

“Algumas pessoas com artrite reumatoide desenvolvem anemia, dor de garganta, olhos secos, boca seca, vasculite, pleurisia e pericardite. A doença é também um fator de risco conhecido para o endurecimento das artérias, o que pode levar a ataques cardíacos e derrames 10 anos mais cedo do que em pessoas que não têm artrite”, afirma o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo), de São Paulo.

Complicações cardiovasculares

Um trabalho dinamarquês apresentado durante o Eular 2010 sugere que a artrite reumatoide aumenta o risco do paciente em sofrer um enfarto do miocárdio. O estudo comparou pacientes com artrite reumatoide e pacientes com diabetes. Os resultados apresentaram dados similares entre os dois grupos: 1,65 de risco aumentado entre indivíduos com artrite reumatoide e 1,73 entre aqueles com diabetes.

No entanto, uma análise das mulheres com artrite reumatoide com menos de 50 anos revelou um risco seis vezes maior de ataque cardíaco, se comparado a seus pares no grupo de diabetes. E nos últimos 10 anos, essa incidência aumentou 50%. Entre os pacientes do sexo masculino, o risco foi semelhante: 1,66 de risco aumentado no grupo com artrite e 1,59 no grupo de diabetes.

“As novas descobertas apontam a importância da implementação das recomendações do Eular nos consultórios dos reumatologistas de todo o mundo, para a detecção precoce e o manejo dos fatores de risco cardiovascular do paciente com artrite reumatoide”, observa Lanzotti.

Vida sexual afetada


Segundo uma pesquisa francesa apresentada no congresso, a artrite reumatoide também afeta negativamente as relações afetivas e a vida sexual dos portadores da doença. O estudo divulgou os resultados da análise de dados de mais de 1,2 mil pacientes, com idade média de 64 anos, e 98% deles recebendo tratamento. Destes, 66% relataram que os sintomas da doença tiveram um impacto negativo nos seus relacionamentos sexuais, e 40% relataram que a doença foi a única razão para não serem sexualmente ativos. Para pacientes sexualmente ativos, os principais problemas físicos provocados pela artrite reumatoide foram a diminuição ou a ausência da libido, relatada por 47%, e dor ou rigidez nas articulações, relatado por 24%.

Além de problemas físicos e emocionais, sentimentos de culpa e frustração foram relatados por 39% deles. Apesar do alto impacto físico e emocional da doença sobre a atividade sexual, 72% dos participantes disseram que nunca tinham falado sobre a influência desta condição em suas vidas sexuais com seu médico, 66% mostraram-se dispostos a resolver esta questão e 62% não consideravam que precisavam de ajuda.

“O estudo francês demonstra claramente que existe uma relação entre a qualidade da atividade sexual e a doença reumática dos pacientes. O que é preocupante é que os doentes, muitas vezes, relutam em abordar este assunto, o que significa que continuam a sofrer, tanto física, quanto emocionalmente. Encorajamos o reumatologista a iniciar esta conversa com seus pacientes para que eles possam se beneficiar de uma ajuda especializada”, diz o médico.

Consumo de chá aumenta o risco

Outro estudo apresentado no Eular, por norte-americanos, revelou que beber chá, em qualquer quantidade, aumenta em 40 % o risco do aparecimento de artrite reumatoide em mulheres na pós-menopausa. Os pesquisadores estudaram mais de 76 mil mulheres, entre 50 e 79 anos. Ainda segundo os pesquisadores, o café parece não ter nenhum efeito sobre o desenvolvimento da doença no grupo de estudo.

Tratamento

A artrite reumatoide não tem cura, mas seus sintomas podem ser amenizados. O paciente deve manter o acompanhamento médico. “Vale a pena reforçar que embora existam medicamentos como não-esteroides, antiinflamatórios e suplementos naturais no mercado que podem ser úteis no tratamento da doença, a dieta e os exercícios podem ser muito importantes, tanto na prevenção, quanto na mitigação dos efeitos da artrite”, conclui Lanzotti.

Gostaria de concluir este texto, da autoria de Michele Roza, fazendo uma reflexão:

NOTA PESSOAL:

Faço referência à frase "A artrite reumatóide não tem cura", para deixar uma pergunta no ar:  Se é verdade que minha Mãe sofria de artrite reumatóide, que se manifestou depois dos 50 anos, com o aparecimento de dores, sobretudo nos dedos das mãos, que começaram a deformar nas articulações, como será justificado o facto de, após o início duma alimentação PERFEITAMENTE cuidada, esses sintomas nunca mais terem aparecido, tendo mesmo regredido as chamadas bolinhas nas articulações? Aos 94 anos, minha Mãe continua a não queixar-se dos ossos (e enfia as agulhas sem óculos). Não podemos esquecer, como referi já, que minha Mãe foi submetida a uma série de operações, durante o período em que a sua alimentação não era a que tem hoje. Talvez seja por todos os problemas de saúde por que passou e por tantas anestesias a que foi submetida, que o único problema dela, hoje, é um coração que acusa um certo cansaço. Isso não a impede, porém, de saír todas as  tardes, sózinha, para o seu passeio habitual.

Maria Letra

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