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sábado, 10 de julho de 2010

VOLTANDO AO MEU POST ANTERIOR..., A PROPÓSITO DE NEGLIGÊNCIA.

Ora aqui está uma coisa que nunca deveria ter feito: negligenciar a ida imediata ao hospital, quando, o ano passado, fracturei o meu pé direito. Antes, porém, faço uma pequena introdução:

Sim, eu sei que há muito não escrevo nada e que, tal como faço com a minha ida ao médico, vou andando um pouco ao sabor do tempo que tenho disponível. No caso dos blogs, não é preguiça, não é desinteresse, não é falta de tema. O que se passa é, tão simplesmente, falta de tempo. Quem me conhece bem, sabe que todos os dias encontro uma nova "coisa" que prende a minha atenção. O que talvez não esteja bem em mim é a minha noção de prioridades. Depois, sou uma entusiasta do "variar", para não me cansar.

Quando era pequena, meu Pai um dia disse-me: "Estou a ver-te, um dia, já adulta, em tua casa: começas a aspirar, deixas o aspirador para descansares do barulho e vais pintar. Quando acabas de pintar, aspiras mais um bocado e depois, em vez de ires preparar qualquer coisa para comeres, vais fazer um poema ou vais dar uma volta".

Escusado será dizer que não foi bem assim, pois também tive 6 filhos e, portanto, o tempo não podia ser gerido dessa forma, até porque sou uma pessoa responsável. Mas que fiz tudo isso, é verdade, mas nesse tempo impunha-se que eu respeitasse as prioridades. E soube muito bem - creio eu - respeitá-las, não deixando de fazer aquilo de que gosto, nomeadamente escrever, desenhar, pintar e ler.

Voltando ao facto de não ter ido ao hospital quando fracturei o meu pé, quero esclarecer que o não fiz por uma razão: é costume os médicos, quando fazemos um entorse, receitarem-nos anti-inflamatórios - e no meu caso impunha-se pois tinha o pé todo negro. Depois, receitam mais umas pastilhazitas para as dores. Como sofro de alergias até dizer "BASTA!", eu pensei: Se mantiver o pézinho com gelo e em descanso, isto vai ao sítio e as dores, vou tentar suportá-las. Com o pé bem enfaixado, o gelo e um creme que me compraram numa boa ervanária (que eu conhecia já muito bem), eu fui tentando evitar ir ao hospital. Estive assim um mês e tal, mas quando punha o pé no chão, era como se a minha consciência me dissesse: Porque esperas?

Decorrido um mês (e tal ...), como a dor não passava e o pé continuava um pouco inchado - embora já sem qualquer mancha - eu decidi ir a um bom hospital aqui de Londres. Expliquei o que se passava e o médico que estava na recepção, disse-me: "Se a senhora já teve o acidente há mais de um mês, isso pode considerar-se a "minor injury" (eheheh!) e, portanto, deverá ir ao hospital de pequenos acidentes." Eu ainda lhe disse que não se tratava de um pequeno acidente, mas ele não quis saber e mandou-me para o outro hospital.

Com enorme sacrifício, dirigi-me ao outro hospital, onde me fizeram um raio-X. O pé estava tão partidinho, que a médica chamou um colega para que ele visse a radiografia do pé fracturado há mais de um mês. A sorrir, olhando para mim com ar de quem tem à sua frente uma criança, disse-me: "Como pôde andar assim tanto tempo?" Depois, lá me foi colocado o sapatinho especial e já vim para casa com a respectiva "canadiana". Deram-me só uma para pouparem o valor duma segunda, a qual tive de comprar eu, pois o sacrifício a que expunha a minha coluna vertebral, usando apenas uma canadiana, era insuportável. E não tenho problemas de coluna. O que não seria se os tivesse ... Mas isso, foi o que teve menos importância, pois para que curasse mais depressa, estive quase sempre imobilizada. Eu, imobilizada! Mas foi assim que tive de estar quase 5 meses.

Este acidente aconteceu em Junho de 2009. Em Junho de 2010 recebi uma mensagem no telemóvel dizendo que eu teria - TALVEZ - direito a uma compensação (indemnização!) e sugeriram-me que contactasse a respectiva companhia de seguros que enviou a mensagem. Acabei por recorrer a uma outra, muito melhor, onde estou a tratar de toda a documentação. Falta-me, porém, uma coisa: a data em que tive o acidente.

Ora cá está uma coisa que vai contra mim, eu que me considero super organizada. Inexplicavelmente, não tenho qualquer apontamento da data exacta em que o acidente aconteceu, o que poderá, eventualmente, invalidar qualquer direito a indemnização. Estou a tentar, através dos meus blogues, encontrar algum comentário no qual refira ... "ontem 'torci' o meu pé direito" ....

Este meu post tem três mensagens, que gostaria fossem lidas por pessoas como eu:

1. Não negligencies a visita ao médico, sempre que tenhas um acidente, mesmo que, aparentemente, sem importância.
2. Toma nota, no teu diário, das datas em que "coisas importantes" te acontecem.
3. Procura verificar bem, em caso de acidente, por exemplo, porque foi que tal aconteceu e reclama a ti o direito de seres indemnizada quando esse acidente tiver acontecido por negligência de outrem. No meu caso, havia um buraco no passeio que, ainda hoje, se encontra sem ter sido reparado, embora esteja já assinalado por dois traços brancos, laterais.

Maria Letra
Fotografia: Miguel Letra

2 comentários:

Anónimo disse...

olá! faz muito bem em dar esses conselhor. Ainda bem que ficou bem do pé. beijo.

Maria Letra disse...

Eu peço muita desculpa mas só hoje vi o seu comentário, que agradeço. Sim, o meu pé ficou muito bem. Também segui à risca os conselhos médicos...